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3 maio

Ocorrência de pintas é sinal de desordem na pele.

Segundo especialistas, até as manchas de nascença precisam ser observadas.

Nevos, do latim, defeito. Ou seja, antes de achar uma pinta (ou, como dizem os médicos, nevo) charmosa, tenha bem claro que ela é um alerta sobre uma possível deformidade, uma malformação. Apesar de a maioria ser realmente uma vantagem estética — basta pensar em Cindy Crawford e Marilyn Monroe —, Marcus Maia, coordenador do Programa Nacional de Controle do Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), avisa:

— A mancha vermelha no rosto, o hemangioma, é um nevo vascular, defeito da célula do vaso. Há falhas de outros tipos de células, manchas de cores diferentes, mas as que mais preocupam são os nevos melanocíticos, que são as pintas escuras.

Os nevos escuros podem ser congênitos ou adquiridos. Os primeiros estão presentes ao nascer ou próximo do nascimento.

— Trata-se de uma fatalidade. Não é genético, mas um defeito intrauterino. De tamanhos variáveis, podem ser pequenos, médios ou grandes. O grande, como se fosse um calção de banho, é raríssimo. O médio, de 3 cm a 20 cm, também é considerado raro. A maior incidência são os menores, de 3 cm ou menos — explica Maia.

Já os nevos adquiridos que aparecem durante a vida são pequenos, as chamadas pintas comuns. E o que há de errado com elas?

— Elas surgiram a partir de um defeito nas células-tronco. De repente, as células-tronco são atingidas pela radiação ultravioleta solar e dão origem a pintas comuns, benignas. Mas, por circunstâncias que desconhecemos, podem causar a pinta maligna, o melanoma (câncer de pele) — explica Marcus Maia.

— Quem toma sol demais pode vir a desenvolvê-lo — complementa.

Pele clara indica maior risco de tumor da pele

De acordo com o dermatologista, é fundamental que todos tenham consciência de que “é marcador de risco quem tem mais de 50 pintas pelo corpo”. Ele acrescenta que pessoas de pele, cabelo e olhos claros estão dentro de um grupo com maior propensão a desenvolver o tumor da pele, assim como quem tem histórico familiar.

— A pinta faz parte de um contexto maior. Quem tem mais de cem pintas estatisticamente apresenta maiores chances de desenvolver câncer de pele, principalmente o melanoma. Pinta é sinal de pele fraca e sensível por tomar sol com pouca ou nenhuma proteção.

O melanoma pode vir sozinho, do nada, ou dentro da pinta.

— Por isso, é importante consultar um dermatologista periodicamente — complementa o especialista.

Maia conta que a regra ABCD é usada para detectar os indícios clínicos de uma pinta que pode fazer mal à saúde. Então, preste atenção na assimetria (A), na borda irregular (B), na cor diferente (C) e no diâmetro (D) do sinal e se ele está crescendo. A sarda é a pinta que surge por queimadura de sol. Não é nevo. Trata-se de um distúrbio de pigmento em cima da queimadura solar, mas que também requer cuidado.

 Cuidados generalizados

Apesar da atenção redobrada com as peles claras, as pessoas morenas e negras também têm de se cuidar.

— A fotossensibilidade é o quanto a pele agüenta de sol, se é ou não resistente. Apesar de cor dos olhos, da pele e número de pintas indicarem mais preocupações, é bom lembrar que a pele morena também tem riscos — acrescenta o dermatologista Marcus Maia.

Segundo o especialista, o sol tem três componentes: A luz, que enxergamos e não faz mal, o infravermelho, calor que não é prejudicial, e o ultravioleta.

— Esse último não vemos nem sentimos, mas é o grande problema. Temos de nos proteger e bloqueá-lo — explica.

 A luta da classe médica é pelo uso do filtro solar. Há pouco tempo, a recomendação tem sido adotar protetores com filtros mais altos.

— Um filtro com fator de proteção 30 só será realmente 30 se a pessoa passar 2 miligramas do produto em cada centímetro do corpo. Um adulto de 70 quilos terá de passar praticamente metade de um tubo do produto numa única vez. E se pensar na mulher, nos filhos e na reaplicação a cada uma hora e meia, quanto a família vai gastar com o filtro solar? — pondera Maia.

Óculos, chapéu, guarda-sol e até camisetas ajudam na proteção contra os raios ultravioleta.

Regra ABCD 

Para saber se há indícios clínicos de que uma pinta pode fazer mal à saúde, preste atenção em quatro pontos

(A)ssimetria 
(B)orda Irregular
(C)or diferente
(D)iâmetro do sinal e se está crescendo

 Tumores distintos

Existem dois tipos de câncer de pele. O mais frequente no Brasil é o não melanoma, que corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados. Tem baixa mortalidade, sendo que a maioria dos casos é tratada com cirurgia. Há o risco de, após esse procedimento, ficarem grandes cicatrizes, geralmente, na face, no pescoço ou no tronco, as áreas do corpo mais expostas ao sol. Não é apenas o nascimento de pintas que pode indicar algum problema. Basta observar a pele irritada, inflamações, sangramentos e o crescimento de lesões na pele.

Já o melanoma cutâneo, normalmente, ocorre nas pintas da pele. Ele pode invadir outros órgãos e causar metástase, e surgir em lugares “escuros”, como as mucosas, a boca, a língua e os olhos. Representa apenas 4% das neoplasias malignas do órgão, apesar de ser o mais grave devido à alta possibilidade de metástase. O prognóstico desse tipo de câncer pode ser considerado bom quando detectado nos estágios iniciais.

 DÚVIDAS

Como é a remoção das pintas?

Cirúrgica. Ela é tranquila e com anestesia local. Depois da incisão da pinta, o material vai para a biópsia a fim de que tenhamos um diagnóstico. Se a margem não for adequada, precisa-se recolher novo material em uma nova intervenção.

A pessoa tem várias pintas e não sente nada, nenhum incômodo ou não percebe alteração. Mesmo assim é preciso consultar o médico?

A orientação da American Academy of Dermatology (Academia Americana de Dermatologia) é que o paciente faça uma visita anual ao dermatologista. Pinta todos têm e é nossa obrigação prestar atenção nelas. Todos precisam se cuidar porque, o câncer de pele não é o que mais mata, mas é o de maior incidência.

Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/vida-e-estilo